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Crítica: Thelma

Thelma (Eili Harboe) é uma menina do interior, filha de um casal ultraconservador religioso, principalmente de um pai superprotetor, parte para a capital cursar faculdade de biologia. Lá ela conhece um mundo do qual foi escondido ou retraído pelos seus pais. Pessoas diferentes, lugares diferentes, festas, bebidas, cigarros, entre outras formas de lazer e diversão que os jovens "da capital" usufruem. Sua forma de educação rígida a faz manter um mínimo de contato com outras pessoas, pois aprendeu, por exemplo, que estas formas de prazer são pecado que podem levá-la direto para o inferno. Essa sensação de liberdade e a vontade de explorar um mundo até então desconhecido encanta e amedronta a jovem ao mesmo tempo.

O filme começa em de uma determinada forma que, tirando uma cena ou outra (incluindo algumas metáforas), vai sendo contada de uma maneira interessante, mas daquele jeito que você já teria uma noção do rumo a ser tomado. Ledo engano!!!! De repente, o filme toma um outro caminho completamente inesperado, mudando tudo e praticamente iniciando outro filme. O que parecia um filme SOMENTE de descobertas e libertação vs. crenças limitantes e repressão (o que não deixa de ser, pois este seu primeiro ato traz uma ótima reflexão sobre o assunto) se torna um filme de mistério e sobrenatural.

Thelma acaba conhecendo Anja (Kaya Wilkins), conseguindo construir uma amizade, ou algo a mais que isso. E isso gera outros conflitos, pois novamente ela se encontra perdida entre o que ela sente e o que ela aprendeu que era "o correto". Thelma passa a conviver com a culpa, a dúvida e o desejo. Ainda mais neste período de transição, no qual, apesar de estar morando sozinha, ainda se vê muito ligada ao seu pai e precisa sempre de sua opinião (ou aceitação) para ajudar a decidir o que fazer ou saber o que é "certo".


A forte intromissão de seu pai, a personalidade a qual foi moldada fundamentada nos dogmas religiosos e a confusão que se instala em sua cabeça pelo sentimento que existe por Anja lhe gera tristeza, desconforto, revolta e raiva. E essa raiva interna e contida começa a extrapolar de uma forma diferente, lhe causando convulsões. Ao buscar tratamento médico, suas descobertas serão capazes de modificar a vida de todos à sua volta.

E é a partir desse momento que algumas imagens aparentemente soltas no prólogo do longa e em outros momentos intercalados começam a fazer todo o sentido. É o ponto da "virada", no qual comentei que praticamente começa um novo filme regado ao psicológico, que não renega em nada sua primeira parte, mas que a explora de uma outra maneira inteligente.

Sim, o filme bebe da fonte de "Carrie, a estranha", mas este consegue se segurar de forma independente. É uma inteligente mistura de gêneros, onde tanto os momentos de suspense como os dramas e o romance tem seu espaço e conseguem prender a atenção.


Thelma foi o representante da Noruega a melhor Oscar de filme estrangeiro (não ficou entre os 5 finalistas) e é o quarto filme do diretor Joachim Trier, que soube misturar temas complicados e delicados, como a descoberta da sexualidade, a homossexualidade, os conflitos gerados nos jovens pelos dogmas e ensinamentos religiosos conservadores e o período de transição dos jovens para a vida "adulta" e "independente" com um toque de sobrenatural, misterioso, fantasia e extraordinário.

Uma ótima forma de aliar o real ao imaginário que o diretor e o roteirista encontraram para expor seu ponto de vista sobre tais temas altamente polêmicos, encaixando uma história de fundo que te prende devido ao tom de mistério, e fazendo com que as "polêmicas" sejam até consideradas como um segundo plano, mas ainda assim fazendo parte diretamente da história. Um filme incrível e surpreendente.

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