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Crítica: Perdido em Marte

Durante uma missão a Marte, o astronauta Mark Watney (Matt Damon) é dado como morto após uma feroz tempestade e é deixado para trás por sua tripulação. Mas Watney sobrevive e encontra-se sem recursos e sozinho no planeta. Apenas com suprimentos escassos, Watney deve contar com a sua criatividade, engenho e espírito para subsistir e encontrar uma maneira de sinalizar à Terra que está vivo. A milhões de quilômetros de distância, a NASA e uma equipe de cientistas internacionais trabalham incansavelmente para trazer "o marciano" de volta enquanto seus colegas de tripulação simultaneamente traçam uma ousada, se não impossível, missão de resgate.

Nos últimos dois anos tivemos bons filmes que utilizaram o espaço como cenário que se ficaram marcados pela sua qualidade técnica e visual ("Gravidade") e pela complexidade da história ("Interestelar"). Perdido em Marte traz uma história (adaptação do livro homônimo de Andy Weir) que não foge ao gênero "ficção científica", mas com uma trama mais fácil de compreender e acompanhar. O filme também chega aos cinemas em um momento muito propício, se aproveitando das recentes notícias divulgadas pela NASA sobre o famoso planeta vermelho, que há tempos é alvo de curiosidade e do imaginário popular. Soma-se a isso tudo o talento e carisma de Matt Damon, competência do elenco de apoio, excelente qualidade de efeitos visuais e uma direção de Ridley Scott que lembra os bons tempos de "Alien" e "Blade Runner". 

Dissecando um pouquinho mais os elogios anteriores. O filme mistura bem elementos de "Náufrago" e "Lunar" (você está sozinho no mundo e não está a fim de morrer agora, então improvisa e se vira), "Armageddon" e "Apollo 13" (você precisa resgatar alguém que está a alguns milhões de quilômetros de distância e com poucos recursos, mas tem sorte de estar na agência não-militar que detém um dos maiores orçamentos mundiais para bancar o trabalho e a criatividade) e "Gravidade" (isolamento no espaço). É necessário utilizar termos científicos, mas isso não quer dizer que precise usar uma linguagem que apenas físicos e cientistas dominam. Ainda assim, em vários momentos as ações são narradas de maneira didática (às vezes até desnecessariamente) para que não fique dúvidas sobre o que o personagem está fazendo. E é necessário o personagem cativar o público, pois se o personagem não tiver merecimento, você não vai ficar 140 minutos torcendo para ele ser salvo.

Perdido em Marte conta com bom elenco de apoio para mesclar com as cenas de Matt Damon. Nomes como Jessica Chastain ("A hora mais escura"), Kate Mara (depois do "Quarteto Fastasticamente ruim"), Chiwetel Ejiofor ("12 anos de escravidão"), Jeff Daniels ("Debi e Lóide") e Sean Bean ("Game of Thrones", "O Senhor dos Anéis" - com direito a referência), entre outros. Alguns fazem uma participação quase de figuração, mas não deixa de ser um elenco de peso. 

O tom do filme é leve, investindo mais no fator criatividade e soluções científicas para os problemas que vão ocorrendo em Marte, e apostando na torcida do público para que todos os planos das agências espaciais e da equipe de astronautas funcionem. Até a trilha sonora foi escolhida para evidenciar referências ao tema, como "Starman" de David Bowie e "I Will Survive", além de uma seleção de hits Disco anos 60/70. Visualmente, como já era esperado, é sensacional. Se optar pela versão 3D, o único efeito pop-up será alguns grãos de areia durante a tempestade do início do filme. Em compensação, o efeito de profundidade de campo é excelente nas tomadas da superfície do planeta e no espaço (cenário que favorece bastante para o sucesso desta técnica).  

Com os rumos tomados, o lado emocional, pessoal e familiar de Mark Watney é pouco ou nada explorado, como se fosse tranquilo ficar cerca de 900 dias isolado em outro planeta. Não é um filme introspectivo, reflexivo ou um drama psicológico.  É um filme descontraído que explora o humor, a inteligência, o otimismo, e o entretenimento, e nesses quesitos atinge o objetivo.



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