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Crítica: Operações Especiais

Um grupo de policiais 100% honestos é enviado a uma cidade do interior do Rio de Janeiro que está sofrendo com o aumento da criminalidade após a criação das UPPs. O governo convoca Paulo Froés (Marcos Caruso), delegado com a ficha mais limpa da corporação, e reúne uma equipe especial para a campanha. Entre os agentes selecionados está Francis (Cleo Pires), uma investigadora novata que precisa provar o seu valor. Dirigido por Tomas Portella.

Um filme policial bancado pela Globo Filmes que tem Cleo Pires como protagonista e o "Kibe Loco" como vilão? À primeira vista, isso poderia até soar como uma paródia ou um filme de humor. Mas é um filme sério, bem produzido tecnicamente, que, se não tem a força e o impacto de um "Tropa de Elite", também não chega nem perto de se equiparar a desastres completos como "Segurança Nacional", de 2010.

Talvez o problema maior de filmes policiais produzidos no Brasil seja justamente o fantasma de Tropa de Elite. Se antes qualquer tentativa, mesmo que fosse bem sucedida, era comparada a enlatados americanos, hoje se algum diretor pensar em fazer um filme do gênero, logo será comparado ao já considerado clássico de José Padilha, ao mesmo tempo que o protagonista terá na sua sombra a lembrança do Capitão Nascimento. Utilizar uma mulher como protagonista pode quebrar um pouco esse "pré-conceito".

Apesar das duas obras focarem nas críticas sociais à policiais, milícias, política e corrupção de um modo geral, este "Operações Especiais" divide o espaço com questões de machismo e superação feminina. Eu classificaria o filme mais como um "Até o limite da honra" versão polícia civil do que um Tropa de Elite genérico. Essa distribuição de foco diminuiu um pouco o impacto do dedo na ferida, mas nem por isso deixa de mostrar de uma forma sincera, e às vezes até utópica, os dois lados que a profissão de policiais podem proporcionar (continuar honesto ou se corromper e se adaptar ao sistema) e as diferentes formas de dominação de comunidades pobres do país.

O filme começa com Francis (Cleo), que é formada em turismo, trabalhando em um hotel . Após sofrer um assalto, sentir a fragilidade da segurança, e descobrir que com qualquer diploma universitário é possível prestar um concurso para a polícia civil, ela é aprovada e efetivada (como licença poética, ignoramos se ela é extremamente inteligente ou sortuda para passar de primeira no concurso). Achando que ia ficar apenas na parte burocrática, com apenas 3 meses de trabalho e sem nenhuma experiência de campo, ela é escalada para uma "operação especial" em uma comunidade do Rio de Janeiro invadida por criminosos que fugiram do complexo do Alemão em 2010 e, de repente, se vê no meio de um tiroteio entre policiais e bandidos (nessa parte, o filme acerta em mostrar que ninguém vira super-herói ou exímio atirador de uma hora pra outra).

A partir daí, temos a previsível jornada de auto-superação, provações e luta para superar os preconceitos dos colegas de trabalho e dificuldades impostas pela profissão, mostrando que nem só força bruta é necessário para um policial, e ainda sobrando um tempinho para fazer as unhas (muitas mulheres não curtem filmes com essa temática, então por que não inserir um movimento girl power e atrair essa parcela do público?). Como já citado, também vemos (e só não nos envergonhamos porque já estamos acostumados) como a política e a corrupção combinam bem com a criminalidade, como a lei incomoda e como parte da população pobre e sofrida prefere conviver com as milícias e a bandidagem, desde que possam se aproveitar da situação de alguma forma. Uma das melhores frases de efeito do filme resume bem isso: a justiça é cega, por isso não deve ter lido o código penal.

Do elenco, se destacam Fabrício Boliveira (o João de Santo Cristo) e o excelente Marcos Caruso (todas as melhores falas do filme são dele). Cleo faz o que pode para convencer como uma pseudo-frágil mocinha que pode se tornar forte e durona, e o restante do elenco (Thiago Martins, Fabíula Nascimento, Antonio Tabet) cumpre o papel e segue o roteiro.

Cenas desnecessárias? Forçadas? Descartáveis? Sim, afinal de contas é a Globo Filmes, que sempre tenta trazer todos os tipos de público. Mas é melhor do que as comédias da produtora. O filme entretém. E, em tempos em que só se vê coisa ruim nos canais de notícias, de vez em quando é legal ver um pouco de honestidade e cumprimento da lei, nem que seja na ficção.


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