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Crítica: O Último Cine Drive-In

O jovem operário Marlombrando precisa levar sua mãe, Fátima, para fazer um exame em Brasília. Sem ter a quem recorrer, Marlombrando precisará reencontrar seu pai, Almeida, ausente há muitos anos. Dono do Cine Drive-in de Brasília, o último do Brasil, Almeida insiste em manter vivo um tipo de cinema que já não atrai mais espectadores como na década de 1970. Dirigido por Iberê Carvalho.

É um filme para quem curte cinema, já que a sua grande contribuição está nos detalhes e referências. O título já entrega que se trata de um longa carregado de nostalgia. Posters, fotos, reportagens, trechos de filmes, equipamentos e até o nome de um dos protagonistas (Marlonbrando!), quase tudo remete à homenagem ao cinema. 

Em alguns momentos é engraçado, em outros é emocionante, e também em determinados pontos chega a ser um pouco arrastado. Algumas tomadas parecem estar ali só para mudarem um pouco o cenário e vermos outro cartaz de um filme antigo na parede ou foto de algum ator famoso colado no guarda-roupa. Mas como uma das intenções do filme é essa mistura de ficção e homenagem, não chegou a perder pontos comigo. O final do filme que poderia ter ficado um pouco mais emocionante.

O filme foi exibido no Festival de Cinema de Gramado de 2015, ganhando o prêmio de júri da crítica (ou seja, o filme que o público mais gostou), além de melhor ator para Breno Nina, melhor atriz coadjuvante para Fernanda Rocha e melhor direção de arte. O elenco está de parabéns, sobretudo Breno Nina e Othon Bastos. Como homenagem, é bem interessante vermos longas nacionais seguirem por esse caminho. Algumas curiosidades, em um breve trecho o cinema exibe "Central do Brasil". Apesar de não aparecer na tela nesse momento, Othon Bastos atua nesse filme. Teria sido bem legal se tivesse aparecido no mesmo quadro dois momentos distintos do ator. Outro destaque é uma cena que destaca o cartaz de "Cinema Paradiso". Ao meu ver, o melhor filme-homenagem ao cinema de todos os tempos. 

Quanto história, o filme tem umas nuances bem interessantes. Temos poucos personagens fixos, e a trama a partir de um certo ponto vai girar em torno de uma certa surpresa de Marlonbrando para sua mãe. O filme poderia seguir por um caminho de, ao longo de seu curso, descobrir mais coisas dos personagens, entender alguns questionamentos ou saber como eles se tornaram o que são hoje. Mas opta por não fazer isso, se preocupando mais em contar a história central. 

Penso que isso tem tudo a ver com o espírito do filme, já que o tema base é nostalgia e saudade, mas acima de tudo, lembrar do passado, mas aceitar que é preciso encarar o presente e se preparar para o futuro, e fazendo, assim, uma analogia com o último cine drive-in do Brasil. Algumas cenas, fatos e personagens estão ali para associar a história da ficção com a nossa história. Fazem parte do passado, da cultura, da vida de várias pessoas, mas o progresso e a modernidade acabaram forçando algumas mudanças e "aposentadorias". Chega um momento inevitável da vida que é necessário se adaptar às mudanças, ao amadurecimento, à uma nova cultura da sociedade. Por mais que doa, por mais que você ache que ainda há fôlego para continuar, ou mesmo que o que foi feito deveria ser respeitado como merece ou ter o reconhecimento justo de um trabalho ou ainda o respeito pelo fruto da dedicação de uma vida. A cena de Almeida passeando por uma sala de projeção digital e pegando um óculos 3D diz tudo. 

Mas a vida não pode parar. Ela se adapta, se renova, se reinventa. A mãe de Marlon está morrendo, assim como a cultura do cine drive-in, dando lugar às novas formas de entretenimento. Pode-se postergar, remediar, adiar, mas não há como evitar o inevitável. Apenas aceitar, aproveitar enquanto pode e guardar para sempre as boas recordações. Por outro lado, a funcionária Paula está grávida. Esperança e alegria, para amenizar as tristezas e as perdas que temos pelo caminho. Uma nova vida, uma nova história. No final de tudo, você decide como quer enxergar o filme: como uma história morna, como um tributo ao cinema, como uma homenagem ao que foi o cine drive-in ou como uma mensagem de renascimento.


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