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Crítica: Cidades de Papel

Cidades de Papel (Paper Towns, 2015) 110 min. Uma história sobre amadurecimento, centrada em Quentin e em sua enigmática vizinha, Margo, que gostava tanto de mistérios, que acabou se tornando um. Depois de levá-lo a uma noite de aventuras pela cidade, Margo desaparece, deixando para trás pistas para Quentin decifrar. A busca coloca Q e seus amigos em uma jornada eletrizante. Para encontrá-la, Q deve entender o verdadeiro significado de amizade – e de amor.

Após o estrondoso sucesso de "A culpa é das estrelas", o escritor John Green se tornou a nova fonte de sucesso dos cinemas, com seus demais livros (muitos já best-sellers antes do estouro em 2014) sendo negociados para também serem adaptados. O primeiro a chegar às telas é "Cidades de papel", que confirma o estilo e o jeito do escritor de contar histórias de E para adolescentes, mas de uma forma que desperte o interesse de outros públicos. John Green, os roteiristas Scott Neustadter e Michael H. Weber e o diretor Jake Scheirer conseguiram contar uma boa e divertida história, que consegue dialogar bem com seu público-alvo, sem sair da sua zona de conforto, sem polêmicas ou profundidade, mas com temas totalmente recorrentes a esta faixa etária e com "tipos" que você encontra em qualquer colégio: as populares, as patricinhas, os fortões e os nerds. É mais ou menos como uma boa temporada de Malhação. 

Meninas, a não ser que vocês se emocionem por qualquer frase mais doce ou cena fofa, me arrisco a dizer que dessa vez vocês podem guardar os lencinhos em casa. "Cidades de papel" não é um romance açucarado, nem um filme triste. Pelo contrário, é bem descontraído e nerd em alguns momentos (com direito a referências a Pokemon e Game of Thrones). Mas, mesmo a sinopse sugerindo que se trata de uma história sobre uma paixão platônica adolescente, o foco geral não é esse. O filme definitivamente é sobre amizade. Aquelas amizades verdadeiras e sinceras (ou não) que se formam no colégio. A época das mudanças, das decisões, das paixões, da transição, das despedidas e desafios. 

O filme é mais ou menos um apanhado de temas, situações ou estilos que lembram alguns filmes adolescentes da geração 80/90 até os mais recentes, como se fosse uma mistura de Conta Comigo, Os Goonies, Gatinhas e Gatões, As vantagens de ser invisível, Superbad e Glee (sem os musicais). Prova de que a sociedade e a juventude evolui, alguns temas se tornam mais explorados e debatidos, tabus caem, mas tem coisas que não há tempo ou geração que altere. 

Muito se falou de Cara Delevigne como a protagonista do longa. Pode-se dizer que seja possível que Cara seja a própria Margo Roth Spiegelman, de acordo com algumas frases ditas durante a exibição. Cara é uma modelo britânica extremamente popular lá fora, presença constante na mídia, polêmica, exótica e de personalidade forte. Na verdade, assim como aquelas meninas que só precisam existir para serem o centro das atenções e alvo do pensamento dos garotos, sem que nunca tenham dito ou feito nada para que isso acontecesse, é mais ou menos esse o papel de Margo (e Cara). Ela é o motivo do filme, e não o filme.

O protagonismo é quase todo do trio de amigos, que são realmente o ponto forte do longa. Nat Wolff está muito convincente como Quentin, assim como os parceiros Austin Abrams como Ben (dono das cenas mais engraçadas) e Justice Smith como Radar. O trio esbanja cumplicidade e credibilidade nas suas cenas, desde as mais loucas como as que carregam mais emoção, como se estivessem apenas revivendo o que realmente aconteceu com eles a pouco tempo atrás. 

E quando os três decidem sair em uma road trip junto com a namorada de Radar, Angela (Jaz Sinclair) e a (ex-?) melhor amiga de Margo, Lacey (Halston Sage), o filme se torna um "Na Estrada" teen, sem a complexidade de Kerouac, mas também sem ser nonsense como "Eurotrip". Além das boas mensagens, cenas, referências pop e atuações, some uma boa trilha sonora e boas frases a se pensar, que vão desde o que é ser uma pessoa de papel em uma cidade de papel, o que é felicidade para você ou o que quer do seu futuro. Enfim, um ótimo filme adolescente, ideal para os que gostam do gênero, que beira os clássicos de John Hughes, seguindo a fórmula do simples, sem inovação, sem complicação, mas com qualidade. 

P.S: Análise de quem não leu o livro. Relatos de que mudaram o final e que a adaptação para os cinemas ficou melhor do que o livro, coisa que raramente acontece.

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