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Crítica: A incrível história de Adaline

A incrível história de Adaline (The age of Adaline - 2015) 110 min. Adaline Bowman (Blake Lively) nasceu na virada do século XX. Ela tinha uma vida normal até sofrer um grave acidente de carro. Desde então, ela não consegue mais envelhecer, se tornando um ser imortal com a aparência de 29 anos. Ela vive uma existência solitária, nunca se permitindo criar laços com ninguém, para não ter seu segredo revelado. Mas ela conhece o jovem filantropo, Ellis Jones (Michiel Huisman), um homem por quem pode valer a pena arriscar sua imortalidade. Dirigido por Lee Toland Krieger.

Filmes que abordam assuntos que envolvem o tempo e os efeitos na humanidade, trazendo questões e conflitos sobre juventude, envelhecimento e imortalidade não são novidade no cinema e na nossa cultura em geral. Rapidamente podemos nos lembrar de longas como "O curioso caso de Benjamim Button", "Feitiço do tempo", "Um conto do destino", "Te amarei para sempre", a série "Forever" ou tantos outros que buscam a fonte da juventude, ou vida eterna (e ainda excluindo os assuntos vampirescos e sobrenaturais). Algumas dessas abordagens são contadas de maneira séria, outras de maneira folclórica, e ainda as que resolvem apenas utilizar essa premissa como pano de fundo para contar uma boa história, misturando realidade com fantasia, como o caso de "A incrível história de Adaline".

Mas neste caso temos algumas diferenças que não o tornam mais do mesmo. Primeiramente, o filme até busca uma explicação científica ou física para a nova condição de Adaline, mas faz isso mais para dizer que existe um motivo, e de uma maneira divertida para mostrar que se trata de uma fantasia. Só pelo estilo imposto da narração inicial, o filme já assume seu lado mágico, deixando claro que pouco importa a credibilidade na forma como Adaline se torna essa pessoa incomum, mas sim o que isso vai implicar em sua vida.  Um ponto muito positivo do filme é exatamente a forma como aborda a questão de Adaline não envelhecer com relação à sua vida social, profissional e familiar e os impactos que isto causa nos seus relacionamentos, ao invés de concentrar o foco em crises existenciais, conflitos internos e questões de vaidade. Neste aspecto, o filme prende a atenção porque não perde tempo filosofando sobre a vida eterna ou sobre a busca por ser eternamente jovem, 

Mas o filme não é só um drama sobre como a vida de uma pessoa é afetada externamente por não envelhecer. Partindo da premissa que é difícil e doloroso ver seus entes queridos e pessoas amadas morrerem, mas igualmente triste deve ser viver sozinho e sem amar e ser amado (estou ficando poético?), o filme gera um inevitável romance. Aqui entram alguns clichés básicos recorrentes ao gênero, e o meu conselho é adotar o "Método Sparks": já que não tem como fugir dos clichés românticos, abstraia-os e seja feliz. 

Graças à boa química entre os envolvidos e ao talento dos atores, "Adaline" é um romance competente e interessante e merece ser visto. Além da atriz californiana Blake Lively, marcada por "Gossip Girl", fazer um trabalho absolutamente seguro, destaca-se a experiência e talento de Harrison Ford e Ellen Burstyn, perfeitos em seus papéis. O holandês Michiel Huisman não faz feio como protagonista de seu primeiro filme americano.

Dentre as tantas formas de se abordar os efeitos da passagem do tempo, escolheram uma forma leve e simples. Não espere reflexões profundas, sofrimentos e discussões filosóficas complexas envolvendo física quântica ou aspectos religiosos, pois ainda que o tema possa e deva gerar questionamentos, o foco não é esse. É um romance típico que poderia ser contado como um livro de conto-de-fadas infanto-juvenil, se os efeitos e frutos da "evolução" da sociedade pelo tempo não tivessem diminuído a ingenuidade e inocência das crianças dessa geração, que querem acelerar o seu tempo e já entrar na adolescência ou maturidade. Estranho como algumas pessoas passam a infância querendo ser adultas e o resto da existência querendo voltar a ser crianças. Interessante para alguns a juventude eterna ser uma dádiva, e, para outros, uma maldição. O que mais vale a pena: ver o tempo passar ou passar pelo tempo? Mesmo sendo uma fábula e como alvo o entretenimento, o filme dá o seu recado.

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