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Crítica: Entre Abelhas

Entre Abelhas (2015) 88 min. Coisas estranhas começam a acontecer na vida de Bruno (Fábio Porchat), um jovem de quase 30 anos que acaba de se separar da mulher (Giovana Lancellotti). Bruno tropeça no ar, esbarra no que não vê – até perceber que as pessoas ao seu redor estão desaparecendo só para ele. Os dias correm e a situação só piora. Com a ajuda da mãe (Irene Ravache) e do melhor amigo (Marcos Veras), Bruno tentará se adaptar a esse novo mundo com cada vez menos gente.

Antes de tudo, é preciso louvar a coragem dos idealizadores deste filme. É muito difícil ver longas nacionais dentro do circuito comercial que fogem do padrão comercial. Particularmente, aprecio muito assistir longas dessa categoria, que não entregam tudo mastigado e abrem espaço para questões filosóficas, debates para comparar seus pontos de vista sobre a história e gerar suas próprias conclusões. Mas, ao mesmo tempo em que é uma decisão corajosa, não deixa de ser polêmica e arriscada. 

É preciso acabar com a síndrome de vira-lata do consumidor brasileiro, que aprecia tudo o que é feito no exterior e rejeita produções similares nacionais, como se somente lá fora o pessoal sabe fazer algo direito. Entre Abelhas me lembrou longas como "Amnésia", "Brilho eterno de uma mente sem lembrança" ou "Ensaio sobre a Cegueira", que possuem roteiros fora dos padrões começo-meio-fim. Filmes como "2 Coelhos" provaram que é possível fazer filmes de ação com qualidade. O fato é que filmes que não se encaixam na categoria "tudo bonitinho e explicadinho" costumam dividir opiniões e gerar críticas. Muitas vezes porque o público em geral não está acostumado a sair de sua zona de conforto ou pensar e discutir sobre um filme.

Fábio Porchat está de parabéns! Por mais de uma vez ouvi atores dizendo que fazer comédia é muito mais difícil do que drama. Mas para um ator com carreira consolidada na comédia, não deixa de ser um risco mudar de gênero, até mesmo para manter a seriedade e credibilidade do personagem. E ele fez isso muito bem em um papel dramático. Aos desavisados que forem assistir ao filme achando que é uma comédia, mesmo o filme tendo algumas cenas engraçadas, podem sair decepcionados, já que o eixo central do longa não é esse. Irene Ravache, como sempre, excelente em cena com seu alívio cômico natural. A bela Giovana Lancellotti tem uma atuação correta e competente, num papel que a meu ver exigiu pouco dela. A atriz desde cedo mostra tem muito talento e potencial! O maior ponto fraco do filme é o personagem de Marcos Veras. Não pelo ótimo ator que está provando ser, mas porque todas as cenas em que seu personagem aparecem são recheadas de linguagem chula e piadas desnecessárias de conteúdo sexual, inseridas para (infelizmente) nos lembrarmos que, mesmo sendo um filme inovador e diferente, esta ainda é uma produção da Globo Filmes, famosa por filmes para o "público de massa", como "Cilada.com" e "E aí, comeu?". Todas estas cenas foram desnecessárias e não contribuíram em nada com a história. 

Contar mais do final inevitavelmente me faria escrever informações vitais sobre o filme, estragando o fator surpresa do espectador. Traduzindo, o próximo parágrafo contém spoilers!!!! Mas, neste caso, me sinto na obrigação de compartilhar minha opinião e reflexão sobre o contexto do filme, o que - repito - IMAGINO ter sido o propósito real. Ou então, eu realmente não entendi nada mesmo :D Então, leia a seguir somente se já tiver assistido para fins de comparação ou crítica ou se você não tem problemas com isso.

Avisado? OK! O modo como o filme termina me fez primeiramente dizer: "como?", "cadê?", "acabou?". Eu poderia simplesmente xingar desde o diretor até a moça da pipoca por ter ido assistir ao filme, mas respirei fundo e pensei: "deve ter tido algum motivo pra isso...". E, então, comecei a relembrar todo o filme, frases e acontecimentos à procura de uma solução. Muitas das minhas suposições o filme já fez questão de invalidar com suas próprias afirmações (como, por exemplo, as pessoas sumirem terem alguma ligação emocional com o personagem). Algumas outras informações, por serem constantemente citadas (como a cadeira vermelha) me fizeram raciocinar que devem ter alguma importância. Ligando os fatos, e após um tempinho quebrando a cabeça, minha conclusão foi: Às vezes, aparecem pessoas no nosso caminho que poderiam mudar completamente a nossa vida, principalmente quando estamos vivendo uma situação difícil. Mas, muitas vezes, ignoramos estas pessoas por conta de nossas tristezas, angústias, preocupações, amigos, familiares, emprego. Sempre temos outras prioridades que acabam ofuscando ou mesmo escondendo quem quer ou pode realmente nos ajudar. E, às vezes, só damos a devida importância a essa pessoa quando não temos mais nada ou ninguém a recorrer. E, quando nos damos conta disso, será que é muito tarde? Cabe a cada um descobrir, ou evitar que se chegue a este ponto de sua vida.

Pode até ser que a mensagem do filme não tenha sido essa e seja tudo viagem da minha cabeça, mas só por esse momento de reflexão, pra mim já valeu o filme.


2 comentários:

  1. Eu jurava que era comédia :O
    Muito boa a crítica, vou assistir...

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  2. Eu também me fiz as perguntas...como?", "cadê?", "acabou?"...ao final do filme. Masssss, depois de 10 horas e 58 minutos de reflexão, também concordo com sua ideia. Podemos estar viajando, mas não consegui ver outra coisa.

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