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Crítica: Sniper Americano

Sniper Americano (American Sniper - 133 min). Adaptado do livro American Sniper: The Autobiography of the Most Lethal Sniper in U.S. Militar History, este filme conta a história real de Chris Kyle (Bradley Cooper), um atirador de elite das forças especiais da marinha americana. Durante cerca de dez anos, ele matou mais de 150 pessoas, tendo recebido diversas condecorações por sua atuação, ficando conhecido por "A Lenda" e citado como o atirador mais letal da história dos Estados Unidos. Dirigido por Clint Eastwood.

Começo minha análise abordando mais uma vez o patriotismo americano. Geralmente em todo e qualquer filme de guerra americano temos as cenas clássicas da bandeira americana, as frases de efeito de amor ao País, sobre como os EUA são os mocinhos e o lado oposto é sempre o inimigo do mundo, coisa e tal. A receita é simples: se tiver sido feito após o trágico 11/9, o filme fará alguma menção ao Iraque, Bin Laden ou terrorismo; se tiver sido feito antes dos ataques, provavelmente a citação será sobre o Vietnã ou a Segunda Guerra. 

Não que esse aqui seja uma exceção. Longe disso. Mas, exageros à parte,  nesse caso o filme é uma biografia de um herói de guerra justamente pelo conflito no Iraque, pós 11/9. O longa aborda bem essa profunda marca que os ataques terroristas provocaram no País. Algo que fez muitos americanos se alistarem no exército com orgulho, que fez alguns mudarem seu estilo de vida para servir à sua pátria. Mas Sniper ainda cai na rotineira visão americana de que "se você matou alguém que está do outro lado, mesmo que seja uma mulher ou criança, você matou um inimigo e é um herói de guerra". E, nesse longa, ainda temos algo do tipo "se você sentiu remorso ou culpa ao matar alguém, não se preocupe, vai se acostumar e seu coração vai endurecer até que se sinta jogando Counter Strike".

Acho interessante citar, além do patriotismo, essa cultura bélica americana. O filme mostra logo em seu início uma conversa de Kyle ainda criança com seu pai, aonde ele diz que existem 3 tipos de pessoas no mundo: ovelhas, lobos e cães pastores, e que ele era um cão pastor. Provavelmente tenha sido sua grande influência para se tornar um atirador de elite e adotar o lema de "nunca deixar um companheiro para trás". Outra coisa que me chamou a atenção é como os americanos se acostumam com armas desde cedo. É como se uma arma fosse um utensílio doméstico, no qual você pode deixar no sofá ou em cima da mesa sem o menor problema. Vemos Kyle caçando com seu pai, aprendendo a atirar, e em uma outra cena dele brincando com esposa Taya (Siena Miller, num excelente papel) e filhos com uma arma na mão. E todos nós sabemos que a junção "traumas + armas" não produz muita coisa boa.

Por último, Eastwood conseguiu adaptar o livro para um bom filme de guerra/drama. Não vemos apenas a parte do conflito - embora vejamos muitos tiros, sangue e cenas de ação. Aqui temos também a parte dramática da coisa, sob dois aspectos. Estar longe de casa, de sua família, de sua esposa grávida e seus filhos pequenos, sem que nenhum deles saiba se os combatentes irão voltar vivos para cada ao final de seu turno. E, o que para mim fez o filme ficar mais interessante e deixando de ser mais um filme do tipo "Guerra ao Terror" é abordar os traumas que a guerra deixa em seus soldados.

Nesse ponto, Cooper fez mais uma excelente atuação, o que justificou sua indicação ao Oscar. Ele mostra que um soldado nunca mais se sente em segurança, mesmo longe da zona de conflito. Não consegue mais relaxar ou ter momentos de tranquilidade. Sua mente não o deixa esquecer os horrores da guerra e o deixa assustado, irritado ou violento ao menor som parecido com um tiro ou bomba. Mostra realmente o que passa na mente de um veterano de Guerra. Desde "Nascido em 4 de Julho", com Tom Cruise, não via um bom filme que mostrasse de forma real este outro lado da guerra. O terror psicológico. Uma ferida que nunca irá cicatrizar.

P.S. Conseguiram fazer um bebê mais falso que em Crepúsculo.

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