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Crítica: Os Miseráveis

Os Miseráveis (Les Misérables) é uma adaptação musical do romance de 1862 do francês Victor Hugo. A trama acompanha a redenção de Jean Valjean (Hugh Jackman), um ex-condenado preso por roubar um pão para seu sobrinho posto em liberdade 19 anos depois, e que após sua vida mudar com a ajuda de um padre, se vê obrigado a fugir de sua liberdade condicional para poder ter uma nova vida digna, ao mesmo tempo em que constantemente precisa fugir do inspetor Javert (Russell Crowe). Dirigido por Tom Hooper (O Discurso do Rei), é uma obra literária sobre a liberdade, que se passa durante a Revolução Francesa do século XIX, em meio às batalhas de Waterloo em 1815 e os motins de 1832.

Esta nova adaptação é um DRAMA e um MUSICAL, no sentido mais amplo da palavra. O filme é inteiramente cantado, exceto algumas poucas frases. Não é um filme estilo Disney com uma história intercalada com algumas canções, nem uma sequência de números musicais como se fosse um "cine-show". Existem sim momentos que ficam caracterizados como um número musical dada a quantidade de atores em cena (inclusive um desses momentos parecia mais um flash mob...), mas o filme em 99% de seu tempo é cantado, mesmo em conversas entre dois personagens. Ou seja,  é uma história contada e cantada de maneira linear. A presença de atores famosos e o modo como a história é desenvolvida consegue fazer com que o filme ganhe sua identidade própria, e não seja apenas uma versão de uma Ópera ou um musica da Broadway para as telas de cinema. E nada de playback, todos os atores realmente cantam ao vivo - e atuam cantando - durante todo o filme. Todas estas características tornam o filme original, diferente, único, e altamente prazeroso de se assistir para quem gosta do gênero musical. 



Por isso, para os desavisados, fica a dica. Se você não curte musicais, nem vá! Melhor do que sair reclamando. Impressionante como várias pessoas deixaram a sala de cinema durante a exibição, enquanto outras se perguntavam "quando é que vão começar a falar?". O filme praticamente não tem falas. Portanto vá preparado para o que você vai ver e ouvir. Esta obra  já foi adaptada para tantos musicais, seriados e até outros filmes (como um de 1988 com Liam Neesson e Uma Thurman) que este aqui tinha que ter um diferencial. O fato de tudo ser dito em melodias tornou-se um recurso curioso, mas ao longo de 158 minutos ritmados, pode gerar um certo cansaço e incômodo. Mas o final é grandioso e recompensador para os que já estavam perdendo o fôlego, e por que não dizer, épico para os amantes do gênero e do cinema.



Um GRANDE acerto do diretor e produtores do filme privilegiar mais o talento do que as cordas vocais. Conseguiram unir um elenco com garganta para segurar o filme como se deve, mas com as imperfeições, desafinadas e falhas na voz que nós temos, principalmente quando somos tomados de emoção. Aquele "nó na garganta" que nos deixa roucos ou com a voz estranha, mas que se torna uma característica marcante que exprime a emoção do momento. Atores consagrados como Hugh Jackman (Wolverine) e Russell Crowe (Gladiador) ampliam sua diversidade cênica e mostram que são atores de vários estilos, não ficando marcados ou presos em filmes de ação e aventura. Jackman, seu problema foi só Daniel Day-Lewis ter feito Lincoln no mesmo ano, senão o Oscar era seu. Amanda Seyfried (dona de um agudo poderoso, que já soltou a voz em Mamma Mia) mostra que também tem talento para ser mais do que um rostinho bonito em comédias românticas. Também fazem parte do ótimo time Isabelle Allen (Cossete criança), Daniel Huttlestone (o garoto Gavroche), Samantha Barks (Eponine), estreia como atriz, é uma cantora que ficou em 3º lugar em um concurso de talentos da BBC, Eddie Redmayne (Marius), Sacha Baron Cohen - sim, o Borat (Monsieur Thénardier) e Helena Bonham Carter, num papel típico dela (Madame Thénardier). Deixei alguém de fora de propósito para o próximo parágrafo...

Fantine (Anne Hathaway) tem quase uma história a parte, mas sua personagem é muito importante para a continuação da redenção social de Jean Valjean. Apesar de pouco tempo em cena, certamente Hathaway oferece os momentos mais marcantes do filme. Por mais que o mundo tenha sido pego de surpresa com o talento de Susan Boyle em 2009 naquele show britânico cantando "I Dreamed a Dream", o que gerou uma repercussão mundial, é algo completamente diferente de acompanharmos a versão de Anne Hathaway no filme. Susan tem um talento vocal maravilhoso, uma voz gostosa de ouvir e sua canção beirou a perfeição técnica - também teve o fato do contraste com sua aparência um pouco diferente do padrão de beleza artístico, mas deixemos isso de lado - mas a emoção que sua versão da música nos transmitiu foi através da voz. 

Já Anne utilizou não apenas sua voz, mas toda a sua expressão corporal e artística, somado a todo o contexto visual apresentado na tela. Ela até pode não ter a força que Susan Boyle ou outra cantora profissional teria, mas nem é o caso. A cena de I Dreamed a Dream, uma das melhores de todo o filme, é digna de comoção geral. O sofrimento, a postura, a interpretação, o impacto do momento, a perfeita união melodia-significado-momento. É uma união de emoções e sentidos que nos renova a paixão e a admiração pela magia do cinema. Não apenas por essa cena, mas por sua marcante participação, Anne Hathaway ganhou quase todos os prêmios de melhor atriz desse ano. Esse artigo está sendo escrito antes da premiação máxima do cinema, mas espero que ela possa ser coroada com o troféu mais prestigiado. Oscar para Anne Hathaway! Palmas para Os Miseráveis! Comecei cedo meu TOP 10 2013?



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