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Crítica: Ted

"Ted" seria um típico filme de final de ano, daqueles que costumam passar nas tardes do dia de Natal. Um daqueles filmes infantis mágicos estilo Disney com bichinhos bonitinhos e lições de moral. Mas temos um pequeno detalhe que faz toda a diferença e provoca uma grande alteração no quadro descrito a pouco: o humor ácido de Seth MacFarlane.

Não se enganem! Ted está longe de ser um filme infantil. Então resista ao pedido de seus filhos ou sobrinhos pequenos para assistir ao filme. Tudo bem que hoje em dia com internet e tv a cabo alguns deles vão continuar achando Ted um filme de criança, mas eu não recomendo. Passa longe de ser um filme no estilo Garfield.

O diretor Seth, que emprestou sua voz pra Ted, é famoso pelo seu estilo próprio de humor em desenhos adultos como Uma família da pesada (Family Guy), American Dad e O Show de Cleveland, desenhos esses que costuam passar no canal FX à noite e já vi algumas vezes nas madrugadas de sábado na Globo, após o Altas Horas. Pelo horário que passam, já dá pra perceber que também não são desenhos de TV Globinho. Não são desenhos excessivamente violentos ou pornôs, mas falam abertamente de temas considerados ainda tabus como sexo e drogas, além de ser altamente crítico voltado à vários setores da sociedade, envolvendo família, política e religião sem a menor cerimômina. Outra característica destes desenhos é que animais e extraterrestres falam e convivem com pessoas como se fosse algo normal. Imagino então que ele tenha ficado muito a vontade ao realizar este longa. 

Ted conta a história de John Bennett (Mark Wahlberg), que quando criança era bastante isolado e impopular. Em uma noite de Natal, ele deseja que seu ursinho de pelúcia ganhe vida pra ser seu amigo pelo resto da vida. Uma estrela cadente cai e...adivinhem. Imediatamente o urso falante se torna uma celebridade: show, entrevistas, autógrafos, sucesso. Mas como ocorre frequentemente com ex-BBB's, uma hora o sucesso acaba e ninguém mais se lembra que você existe. O filme segue então mostrando que John cresceu e se tornou adulto, assim como Ted. Mas nenhum dos dois amadureceram. Ted leva uma vida regada a filmes, drogas e cerveja. John gostaria de continuar seguindo esse caminho, mas sua namorada Lori (Mila Kunis) a todo tempo precisa fazer com que ele perceba que ele cresceu e precisa adquirir responsabilidades de adulto (como para de fugir ao trabalho para fumar maconha com Ted enquanto assiste Flash Gordon).

Obviamente o filme tem como objetivo mostrar a dualidade de uma pessoa tem em assumir uma vida de adulto e continuar mantendo sua alma de criança, e para John este apego a uma vida sem responsabilidades está representada em seu urso Ted. Mas o que torna o filme mais interessante é o fato do ursinho não ser nada convencional. Como eu já estou acostumado com Uma família da pesada, nem achei o filme tããão pesado assim, mas realmente umas três ou quatro cenas merecem a censura 16 anos. Só vendo o filme pra ter uma noção de como esse ursinho é desbocado.

O que também me agradou MUITO foram as várias referências a filmes e músicas, além das famosas críticas e sátiras a celebridades americanas. Não foram poupados Justin Bieber, Katy Perry, Chris Brown, entre outros. Para os cinéfilos, é muito legal acompanhar citações a Star Wars, Muppets, Indiana Jones, E.T, e tantos outros. A geração dos anos 80 pra baixo deve compreeender bem melhor estas referências e gostar mais do filme do que a geração IPAD, que nunca ouviu falar em Flash Gordon, não reconhece a trilha de Indiana Jones no primeiro acorde ou as músicas do Queen. Temos também alguns atores e cantores famosos fazendo ótimas pontas no filme, como Sam Jones, Ryan Reynolds e Norah Jones.

Ted, então, foi uma grata surpresa. Não morri de rir o tempo todo, mas o filme me roubou boas e honestas risadas. Existem sim algumas falhas e coisas que não funcionaram. Não gostei da presença dos personagens de Donny (Giovanni Ribisi) e o seu filho, mesmo necessários para o final do filme acho que funcionaria melhor sem eles. Mas definitivamente é um filme de Seth MacFarlane, e que ele continue com sua coragem para criticar a tudo e a todos, mas ao mesmo tempo contando boas histórias.

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