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Crítica: Valente

Em meio a Escócia medieval (terra de William Wallace e Connor McLoud), Merida é filha do Rei Fergus e da Rainha Elinor. No entanto, a princesa é teimosa, temperamental e valente quanto seu pai. Seu comportamento é contestado por sua mãe, que tenta lhe ensinar os modos de uma princesa e está ansiosa para que a primogênita assuma suas obrigações reais e se torne noiva de um herdeiro de um dos três outros clãs, Dingwall, MacGuffin e MacIntosh (óbiva homenagem a Steve Jobs, a quem o filme é dedicado nos créditos finais). Mas Merida assume o risco de confrontar os costume e mudar seu próprio destino, podendo prejudicar a todos com suas atitudes.

Valente (Brave) é o novo filme da parceria Disney-Pixar e o 13º longa de animação do estúdio. Após a compra da Pixar pela casa do Mickey em 2006, pudemos acompanhar o ressurgimento dos desenhos animados que encantaram gerações, mas que estavam em baixa desde o fracasso de "Nem que a vaca tussa" (2004). Este renascimento da Disney se deu em 2009 com "A princesa e o sapo", que além de trazer de volta o gênero Princesas apresentou a primeira princesa negra. Pouco depois, foi a vez de Rapunzel finalmente ganhar seu filme com o ótimo "Enrolados". Estes dois longas continuaram seguindo o estilo de animação da Disney, sem o uso de computação gráfica. Após 4 anos de produção, a Disney finalmente pode ver uma princesa surgir com o auxílio dos super computadores.

Quanto a Pixar, nem tudo foram flores com a compra da Disney. Coincidência ou não, o estúdio responsável por alguns dos melhores filmes de animação de todos os tempos (posso citar a trilogia Toy Story, Procurando Nemo, Monstros S.A. e Ratatouille, entre outros) começou a investir em algo que até então nunca tinha realizado: sequências. Carros 2 foi o primeiro exemplar dessa nova linha, e com certeza não foi a melhor decisão (vem aí Monstros S.A 2 (Monstros Universidade) e Procurando Nemo 2, sendo que no final do ano a primeira aventura do peixe será relançada em 3D). Claro que, mesmo com as críticas recentes, dificilmente se pode dizer que algum filme da Pixar é ruim, embora Carros 2 realmente seja muito fraco e fez com que pela primeira vez a Pixar não tivesse um concorrente ao Oscar de animação. O problema maior é a expectativa criada a cada lançamento deste estúdio, que nos deixou completamente mal-acostumados. Mesmo com fracasso de crítica de Carros 2 em 2011 (de crítica, porque comercialmente continua dando muitos lucros), o estúdio fez as pazes com o público com o fechamento da trilogia Toy Story ainda em 2010. 

Se alguns dos últimos filmes da Pixar foram criticados no quesito história, não há de se negar que o avanço da tecnologia é impressionante, ao ponto de que o estúdio às vezes precisou se esforçar para que as imagens continuassem parecendo uma animação. Nos extras de "Procurando Nemo", existe um comparativo de duas imagens mostrando o mar: uma imagem real e outra gerada por computação gráfica. Não consegui enxergar a menor diferença entre as imagens. A Pixar está sempre procurando a perfeição em tudo que se refere a paisagens e detalhes, mas faz questão de manter pessoas e animais de maneira cartunesca ou com feições de desenhos, já que se fosse pra fazer algo 100% real a Disney provavelmente iria preferia filmar com atores reais (prática já testada em "Encantada").

 Com Valente, chegou então a nova fase da parceria Disney-Pixar: o primeiro personagem Pixar feminino. A primeira princesa Disney da Pixar. A união da melhor tecnologia de animação do mundo com o estilo consagrado de se contar uma história de "conto de fadas". E o resultado ficou ótimo nos dois sentidos. Por parte da animação, o desafio da vez foi produzir aquele cabelão ruivo enorme e cheio de cachos da protagonista. Quem conhece pelo menos um pouco de computação gráfica sabe como deve ter sido difícil animar aquele cabelo todo. Li que a técnica dos cabelos de Merida - rebeldes como a dona - consumiram quase dois anos para atingirem o resultado esperado. Outra cena de alto impacto visual é uma cena de um rio cheio de peixes. Animação de água também é algo complicado, e o resultado ficou absolutamente incrível. Pra quem é de computação fica difícil não se empolgar com aquilo. Fantástico!

A princesa Merida (a pronúncia correta das palavras é algo extremamente importante) segue a nova linha moderninha de princesas que perderam o ar ingênuo e bobo. Mas continua presente uma famosa marca da Disney de apresentar relações familiares e lições de moral. O filme pode não manter seu ritmo durante 100% de sua duração e ficar um pouquinho monótono na sua metade, mas quando volta a engrenar prende a atenção até o final. Neste longa o foco está na relação mãe-filha. Contar mais do que isso estragaria qualquer surpresa. Como coadjuvantes, temos os trigêmeos caçulas e os filhos dos lordes escoceses como destaques cômicos, mas são poucas cenas. O filme mantém o foco quase 100% na princesa ou na sua mãe. É um filme infantil, mas que pode agradar a adultos como um bom entretenimento. A história não é completamente original (vimos algumas coisas em Irmão Urso, Mulan e A Pequena Sereia), não tem a força de um roteiro visto em Toy Story, mas nem de longe pode ser considerado ruim. É apenas diferente.

Últimas considerações: o 3D pode ter ajudado na concepção das paisagens, tornando florestas, rios e cachoeiras ainda mais belos, mas efeito 3D mesmo não tem absolutamente nenhum. Não achei nenhuma referência a personagens anteriores da Pixar, algo comum nos outros filmes da franquia (Nemo, o zoiudinho de Monstros S.A e até Wall-e já fizeram figuração em outros filmes). O filme não tem cena pós-créditos, então você pode se levantar ao final da sessão sem problemas, mas não chegue atrasado de modo algum: o curta de animação que precede o filme (outra prática comum da Pixar), "La Luna", é uma das coisas mais lindas que já vi no cinema e só esse curta já valeria o ingresso.  

1 comentários:

  1. Muito bom o filme, realmente gostei, a animação da Pixar sempre se superando!

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