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Crítica: Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Batman, O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises, abreviado para TDKR) é o encerramento que a trilogia realizada pelo diretor Christopher Nolan nos brindou de maneira brilhante, digno como um filme desse porte merece. O filme é excelente, na medida certa, e na minha opinião só não se tornou épico porque o anterior - O Cavaleiro das Trevas (TDK, 2008) - já se encarregou de tomar este título para si. Como toda unanimidade é burra, já ouvi relatos de pessoas que não gostaram do filme, e não poderia ser diferente pois é de opiniões distintas que o muindo vive. E é essa a graça que temos de escrever para debater e comparar nossas opiniões. 

Talvez o problema maior deste terceiro filme tenha sido a expectativa gerada, principalmente depois do sucesso absoluto de TDK. Eu já tinha em minha mente que dificilmente este terceiro filme conseguisse superar o anterior, por isso fui apenas disposto a ver o que estava reservado para o final. E vi exatamente o que estava buscando. Não foi épico? Realmente, muitos dirão que não foi. Precisava ser? Se pudesse, até seria bom. Mas o final foi do jeito que precisava ser. Respeitando a trilogia e contando uma história de forma coerente, dando espaço para o desenvolvimento dos personagens principais e secundários e focando na ressurreição tal qual o título nos apresenta.

Em primeiro lugar, vamos pensar um pouco em como esta trilogia foi feita, ou seja, considerar somente a produção do Nolan, a partir de Batman Begins (2005). Qual o conceito de super-herói? O que a palavra super agrega em um ser para que ostente este adjetivo? Pra quem já assistiu o filme, qual a diferença de herói entre Batman/Bruce Wayne (Christian Bale) e o policial John Blake (brilhante atuação de Joseph Gordon-Levitt)? Blake é um herói humano e o Batman é um super-herói porque usa máscara e armadura? É nesse ponto que a trilogia de Nolan conseguiu arrebatar de vez os fãs do personagem. Todos os seus três filmes são baseados na realidade, num tom sério, sombrio, perturbador, fisicamente aceitável - com exceção de um certo exagero high tech, mas que quem sabe pode vir a existir. Batman não é um Deus, não é um alienígena, não sofreu nenhuma mutação genética ou foi picado por qualquer inseto, nem herdou poderes sobrenaturais. 

Também por este mesmo motivo não se deve comparar este filme com o d'Os Vingadores, pois o foco é outro. A não ser pela sua conta bancária e oportunidade de possuir um arsenal tecnológico invejável, Batman é um homem comum. Um homem complexado, psicologicamente perturbado e com sede de fazer justiça (ou seria de vingança). Sua máscara, mais do que um símbolo, é - como o próprio Bruce Wayne diz - apenas uma forma de proteger as pessoas em sua volta. Isso foi perfeitamente retratado nesta saga.


Em Batman Begins, vimos o seu surgimento do herói. Em O Cavaleiro das Trevas, além de uma das melhores atuações de todos os tempos com o Coringa de Heath Ledger, vimos ao final do filme um excelente diálogo de Batman com o comissário Gordon, no qual fica a questão de que tipo de herói uma cidade merece e de que herói uma cidade realmente precisa. Passados 8 anos, chegamos ao competente capítulo final. Batman nunca mais foi visto desde que foi injustamente acusado de matar Harvey Dent (o Duas-Caras do longa anterior). O comissário Gordon, um dos únicos que sabe a verdade, precisa conviver com sua mentira e com a frustração de não poder revelar a verdade, já que a lei Dent de combate ao crime conseguiu limpar a cidade do crime. Até que um mercenário surge como uma ameaça tão grande que será necessário que Batman volte à ativa.  

Bane pode não ser um dos vilões mais famosos do universo Batman. Pode não ser o que as pessoas gostariam que estivesse lá. Mas se encaixa perfeitamente no tipo de história que a trilogia contou. O ator Tom Hardy se esforça bastante para dar maior expressão ao personagem, já que suas feições são prejudicadas pelo uso contínuo de uma máscara, mas foi o personagem mais fraco desse longa. Embora Bane não seja um destaque como foi o Coringa (e duvido que qualquer outro fosse), sendo considerado um vilão de segundo escalão nos quadrinhos, e no filme suas motivações para tocar o terror não tenham ficado devidamente claras (como se existisse motivação real pra terrorismo), sua presença se encaixa no roteiro como um desafio físico para o já debilitado Batman.

Além de tudo, Bane é protagonista de uma das cenas mais icônicas dos quadrinhos, que fez muitos fãs se perguntarem o tempo todo antes da estreia se tal cena estaria ou não lá. Se você sabe de qual cena estou dizendo, provavelmente já correu pra ver o filme ou está roendo as unhas pra ver. Confira! É uma cena de impacto. Fiel. Angustiante como esperava que fosse. Só não pude vibrar com a cena porque o clima estava tenso demais. A trilha sonora parou. O silêncio absoluto do cinema nessa hora mostra que Nolan conseguiu novamente a atenção de todo o público. Literalmente, vemos Batman chegar ao fundo do poço. 

A outra "vilã" é Selina Kyle. Outro acerto de Nolan. A personagem também é mais fiel aos quadrinhos, nos quais Selina é uma ladra. Não esperem uma fantasia com rabo, capacete com orelhinhas e "miaus". Nem o nome "Mulher-gato" é usado. O mais perto disso é uma reportagem de jornal escrito "The Cat", fazendo uma analogia de ladra com "gatuna". Mas não se enganem. Isso não tira o brilho e a importância da  personagem na história. E Anne Hathaway mais uma vez está excelente. Pela diferença de tom na personagem, não dá pra comparar com a mulher-gato de Michelle Pfeiffer ou com aquela cabeçuda do filme com a Hale Berry.  

Além de Bane e Selina, mais duas estreias no elenco: Miranda Tate (Marion Cotillard) é uma executiva milionária associada das empresas Wayne e o policial John Blake (Joseph Gordon-Levitt) que ajudará Batman na luta contra o crime. Também aparece o policial Foley (Matthew Modine) mas sem maior importância. Dos filmes anteriores, retornam a trinca de atores competentes, elogiados e premiados. Lucius Fox (Morgan Freeman), com um papel mais secundário do que nos anteriores, o comissário Gordon (Gary Oldman) e o mordomo Alfred (Michael Cane), em cenas memoráveis e emocionantes. 

O filme guarda MUITAS surpresas, referências aos filmes anteriores e homenagens. Uma pena o Coringa não aparecer no filme. Em determinado momento, ele poderia ter uma participação bem interessante. O filme possui muitos diálogos, necessários para o enredo mas acaba proporcionando menos cenas de ação do que eu gostaria. Mas a parte final do filme vale por qualquer rastro de desconforto gerado durante as 2:45hs de duração. Acho difícil dizer que as histórias de Batman se encerram aqui, em virtude de todo o lucro que o personagem traz para os responsáveis pelos direitos do personagem. Também é incerto dizer se o novo diretor (já que Nolan encerrou sua participação) vai assumir os rumos deixados após esta saga ou se irá contar outras histórias (por favor, sem mais reboots). O universo de Gothan City é enorme e ainda tem potencial para muita coisa boa no cinema. Só espero que o futuro da franquia seja entregue a pessoas tão competentes e responsáveis quanto Christopher Nolan e que o elenco seja tão bom quanto o desta trilogia, que já entrou para a história.

5 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Ponto fraco para a Talia al Ghul de Marion Cotillard (isso é spoiler?), com direito a "momento-parem-tudo-que-vou-explicar-minhas-motivações", além de uma morte estilo Zorra Total - será que foi uma homenagem de Nolan à série sessentista?

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  3. O mordomo poderia ter ficado mais tempo nesse ultimo filme dando um pouco mais de comédia com os trocadilhos entre ele e o Bruce.

    Uma pergunta. O final do filme mostra o policial Blake... Seria ele o próximo Batman?

    Casilo, parabéns pelo post.

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    Respostas
    1. COM SPOILER. NÃO VIU O FILME? NÃO LEIA

      Oi Ramiro, agradeço. Na verdade não. Você poderia pensá-lo como outros dois heróis (Robin ou Asa Noturna), que substituiria o aposentado Batmam, mas por enquanto o ator e o estúdio disseram que essa possível continuação não seria aproveitada, e planejam o reboot de Batman para 2016.

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  4. ESTOU MONTANDO AOS POUCOS UMA RÉPLICA EM TAMANHO REAL DO BATPOD ASSIM COMO UMA ARMADURA (INSPIRADA NO BATMAN DESERT STORM E NÃO NO FILME)

    QUEM QUISER CONFERIR
    http://www.arteplano.xpg.com.br/pagnovo.html

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