Pi - 1998

Pi é um dos filmes mais originais, inovadores, excêntricos e estranhos que já tive a oportunidade de assistir. Não espere apenas um filme matemático sobre o tal símbolo matemático que corresponde ao valor da razão entre a circunferência de um círculo pelo seu diâmetro. Este é apenas o ponto de partida de um filme complexo, angustiante, nervoso e inteligente, o qual requer muita atenção para entender tudo o que se passa - inclusive metaforicamente. Trata-se do primeiro filme independente do diretor Darren Aronofsky (que também fez o polêmico "Requiém para um sonho").

No filme, Max Cohen (Sean Gullette) é um matemático que tenta provar sua teoria que tudo na vida é baseado em padrões. Todas as coisas. Inclusive pessoas. Inclusive o mercado da bolsa de valores. Seus estudos se concentram basicamente em: 1 - tentar encontrar um padrão para o pi - que aparentemente é o único símbolo matemático no qual seus números são totalmente aleatórios (como curiosidade, o filme diz que no ano 2000 estudiosos chegaram a 51 Bilhões de dígitos no pi sem que exista qualquer padrão entre eles); 2 - encontrar um padrão que permita desvendar (e prever) os números da bolsa de valores dos EUA. Para isso, ele recebe financiamento de um grupo financeiro interessado nessa pesquisa, provendo custos para a construção de um supercomputador que possa realizar tais cálculos.

Max é tão brilhante e focado em suas pesquisas que se torna uma pessoa completamente anti-social e com alguns transtornos mentais (sem querer generalizar, por favor), além de algumas doenças que fazem com que ele precise tomar remédios controlados. A única pessoa com quem Max mantém contato é seu antigo professor Sol (Mark Margolis), que também estudava tais padrões e interrompeu suas pesquisas por motivos de saúde.

Se quer continuar na surpresa, não continue a ler este parágrafo. Após algumas pesquisas e conversas, surge no filme uma questão sobre um determinado número com 216 dígitos. E aparentemente sempre que uma máquina consegue calcular este determinado número, a máquina queima e o número é perdido. (Olha a viagem!!!) A explicação para este fato é que nesse ponto, os computadores se tornam conscientes e se auto-destroem para evitar que este número seja conhecido. E o motivo é religioso (e é um ponto bem interessante do filme): a religião judaica, mais precisamente a Cabala, é baseada no Torá (os 5 primeiros livros da Bíblia, eu acho). E na língua original em que foi escrito (hebraico), todas as palavras são relacionadas aos números (o filme mostra um exemplo bem legal de como pai, mãe e filho são escritos dessa forma). E o que isso tem a ver com o tal número de 216 dígitos? Este número, ao ser convertido para o hebraico, se torna o verdadeiro nome de Deus!!! E Max conseguiu obter esse número por seu supercomputador e esse número agora está dentro de sua perturbada cabeça.

E o restante do filme são várias sequências em que Max é perseguido pelos seus "investidores" e por fanáticos religiosos judaicos e sequências que mostram que Max está cada vez mais enlouquecendo com suas alucinações e dores de cabeça constantes (quem mandou olhar pro sol?). Esta segunda metade, na minha opinião, deixou um filme um pouco mais chato. Mas pela primeira metade, o filme vale a pena ser visto. As questões matemáticas e existenciais são ponto forte do filme, mas algumas questões técnicas também são muito interessantes, como por exemplo o filme ser todo filmado em preto e branco e possuir alguns padrões até mesmo em sua exibição. E só pra fechar, um dos aspectos metafóricos que citei logo no início. Boa parte do filme fala sobre espirais. Tente relacionar esses espirais com o próprio drama de Max, que vai definhando física e mentalmente até chegar a um ponto crítico.

E se você não entender o filme, é completamente normal e é muito provável que isso aconteça. Espere uns dias e assista-o novamente. Se achar necessário, repita esse procedimento (cuidado para não virar um padrão!). É difícil mesmo compreender a mente de uma pessoa conturbada. E é esse o maior mérito do filme: se já é difícil entender, imagine expor essa complexidade para as outras pessoas.

Cotação: 7,5

P.S: O filme custou míseros 60 mil dólares (acreditem, isso é MUITO pouco para se fazer um filme), conseguidos através da ajuda de amigos e vizinhos. Cada um doou US$100,00 e se o filme fizesse sucesso, todos receberiam US$ 150,00 (o que de fato aconteceu). Um diretor não precisa ser somente inteligente, tem que ser esperto.

2 comentários:

  1. Definitivamente é um filme para NERDS. Tem passagens muito boas, como quando o processador do computador dele queima.

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  2. Olá, Leonardo.

    Também sou um amante do cinema e, navegando pela internet, acabei encontrando seu espaço. Muito bom seu blog!

    um abraços,

    josé

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