12 Homens e uma sentença (1957)

Pode um filme de tribunal, antigo, preto e branco, que se passa 98% no mesmo cenário e somente com diálogos prender a sua atenção por mais de 90 minutos? A resposta é sim! 12 homens e uma sentença (12 angry men) é um excelente filme sobre o ser humano. Suas fraquezas, seus medos, seus preconceitos, etc. Na sua visão "jurídica", aborda temas que raramente são apontados em outros do gênero, como o julgamento precipitado, julgamento sem conhecimento de causa, por conveniência, entre outros.

A história é a seguinte: um jovem é acusado de assassinar seu próprio pai com uma faca. Existem duas testemunhas que disseram ter visto e/ou ouvido o assassinato. O juiz então convoca os 12 jurados a uma decisão, contanto que seja unânime. Na sala dos jurados, a primeira votação resultou em 11 votos por culpado e 1 voto por inocente. Agora, cabe ao jurado Nº 8 (Henry Fonda) explicar aos demais porque não votou por culpado. E o que se vê depois disso é um show de argumentação, raciocínio lógico, sensatez e inteligência. Aos poucos, o jurado 8 - que é um arquiteto - vai convencendo os demais com o mesmo argumento: "em nenhum momento eu disse que ele era inocente. Apenas não tenho certeza de que ele é culpado" e em seguida fazendo com que os jurados pensem melhor nos detalhes ou julguem sem preconceito, pressa ou preguiça. E, de fato, em nenhum momento o jurado afirmou que o jovem realmente era inocente ou culpado. Mas tinha consciência de que estava lidando com uma vida humana, e ele não podia condená-lo à cadeira elétrica a menos que tivesse certeza absoluta de sua culpa.

Pra quem gosta de bancar o detetive ou pro pessoal da área jurídica, o filme é perfeito. Devia ser obrigatório em qualquer curso de direito. Para aqueles que gostam de filmes inteligentes, também é mais do que obrigatório. Tudo bem que em alguns momentos realmente nós espectadores não podíamos adivinhar, já que se tratavam em depoimentos de testemunhas que não apareceram no filme, mas a cada dedução ou argumentação do jurado 8 eu ficava impressionado como eu não tinha reparado antes ou não tinha dado a devida atenção a um pequeno detalhe ou frase. Vai ser difícil encontrar algum outro filme do gênero que seja do mesmo nível desse.

Para fazer justiça, segue os nomes dos 12 jurados que fizeram esta obra-prima de filmes de tribunal. Acredite, nenhum deles é um mero figurante que balança a cabeça estilo novela da globo. Todos tem sua importância na história. Martin Balsam - Jurado nº 1, John Fiedler - Jurado nº 2, Lee J. Cobb - Jurado nº 3, E. G. Marshall - Jurado nº 4, Jack Klugman - Jurado nº 5, Ed Binns - Jurado nº 6, Jack Warden - Jurado nº 7, Henry Fonda - Jurado nº 8, Joseph Sweeney - Jurado nº 9, Ed Begley - Jurado nº 10, George Voskovec - Jurado nº 11, Robert Webber - Jurado nº 12.

Cotação: 9,7

P.S.: Agradeço a minha amiga Yáskara por ter me dado esse ótimo dvd de presente.

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