Homem-Aranha (2002)

Falar de filmes de super-heróis geralmente é mexer em vespeiro (ou casa de marimbondo, pra bom nordestino). Por um lado, temos os fãs xiitas que cultuam seus ídolos dos desenhos e quadrinhos. Por outro, temos os críticos conservadores de cinema que nunca veem (olha a reforma ortográfica aqui) esse tipo de filme com bons olhos. Por melhor que seja um filme baseado em HQ’s, as chances dele ser indicado a um Oscar sem ser para categorias técnicas sempre são raras. E, por fim, ainda temos os estúdios (oi Fox!) que não entendem nada de quadrinhos, desenhos e coisas nerds e vivem alterando os roteiros e filmagens buscando algo mais comercial ou voltada para o público adolescente. Isso muitas vezes desvirtua completamente o sentido ou o espírito do filme e a história ou essência dos personagens. Assim, filmes que tinham tudo para serem ótimos acabaram ficando completamente diferentes da obra original. Exemplos não faltam, como “Quarteto Fantástico” e “Elektra”.

Desabafo registrado, vamos voltar um pouco no tempo. Depois de “Superman - o filme” de 1978 e da série “Batman”, que conseguiu manchar de ódio e vergonha sua história com o mega-desastre “Batman & Robin” de Joel Schumacher, poucas foram as tentativas de levar para o cinema adaptações de super-heróis e quadrinhos em geral. A história começou a mudar em 2000, com “X-Men - o filme”, mas foi em 2002 que público e crítica se renderam a uma das melhores adaptações de quadrinhos já feitas até então. O diretor Sam Raimi e o criador Stan Lee trouxeram para o cinema um dos heróis mais conhecidos mundialmente - o Homem-Aranha (Spider-Man), arrecadando em um final de semana US$ 114 milhões nas bilheterias norte-americanas.

Com o cuidado de agradar aos fãs (pelo menos a maioria) e aos conheciam apenas de nome o personagem, o filme conta muito bem as origens do homem-aranha (com algumas modificações com relação aos quadrinhos, mas nada muuuito grave): Peter Parker (Tobey Maguire - perfeito para o papel de nerd sem-graça) é a mais perfeita descrição de um nerd: altamente inteligente, completamente desajeitado, sem vida social, sacaneado por todos os colegas de escola e apaixonado pela garota mais popular - neste caso, a aspirante a atriz Mary Jane Watson (Kirsten Dunst - aqui ainda está ruiva e linda, mas que sofre um incrível processo de "embaranguecimento" até o terceiro filme. Comentarei mais sobre isso na crítica de HA3). Seu único amigo é Harry Osborn (James Franco - fraco como ator e personagem), filho do milionário industrial Norman Osborn (Willem Dafoe - ótimo ator) e sua família são seus tios Ben (Cliff Robertson) e May (Rosemary Harris).

Um dia, durante uma excursão para o laboratório da Universidade, Peter é mordido por uma aranha geneticamente modificada, o que causa em Peter uma mutação em seu código genético, lhe conferindo todas as habilidades da aranha (força, agilidade, capacidade de fiar teias orgânicas, escalar paredes e um útil "sentido aranha"). Já Norman Osborn se transforma no vilão do filme Duende Verde. Muitos personagens também foram modificados com relação as HQ's, mas as alterações funcionaram bem.

A história segue com base nos quadrinhos. Temos a conversa com seu tio Ben e a famosa lição de moral "com grandes poderes, vem grandes responsabilidades" e seu posterior assassinato, que foi o ponto de partida para o surgimento do aranha. Também acompanhamos Peter tentando conciliar sua vida comum de fotógrafo do Clarim Diário, trabalhando para J. Jonah Jameson (J.K. Simmons - hilário e perfeito no papel) e sua faculdade com sua vida de herói combatendo o crime e seus vilões e seu quase-romance com Mary Jane.

Popular e divertido, o mescla bem os dramas e conflitos interiores com toda a ação que um filme desse estilo necessita e acrescenta boas (mas poucas) doses de humor. Algumas cenas do filme (principalmente a cena do beijo) se tornaram memoráveis e já fazem parte da história do cinema. Além de tudo isso, o filme é tecnicamente muito bem feito, com ótimos efeitos especiais, ganhando dois Oscars por categorias técnicas.

Como pontos fracos, o filme se foca mais em Peter do que no homem-aranha. Nos quadrinhos, o homem-aranha é mais "ácido" e irônico (talvez até pelo ator ser naturalmente sem-graça, funcionou mais como nerd do que como herói). Outra coisa chata é o excessivo patriotismo. O filme teve várias cenas refeitas em virtude do 11 de setembro. A cena final do filme que mostrava o homem-aranha em uma enorme teia no meio das torres gêmeas foi substituída por uma imensa bandeira dos Estados Unidos.

O importante de tudo isso é que HA fincou definitivamente o retorno da franquia de super-heróis ao cinema. Hoje já temos outros ótimos exemplos de filmes dessa categoria (Batman o cavaleiro das trevas, Homem de ferro, X-Men 2) e muitos outros que estão por vir que talvez hoje não tivessem mais espaço em Hollywood se HA não tivesse tido tanto sucesso. Claro que também vieram algumas porcarias na bagagem, o que prova que não basta apenas incluir um super-herói na tela - tem que ter qualidade, um bom roteiro e captar bem a essência do personagem.

Cotação: 9,0
Em breve as críticas do excelente HA2 e do médio HA3.

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