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Efeito Borboleta (2004)

"É dito que algo tão pequeno como o bater das asas de uma borboleta pode causar um tufão do outro lado do mundo."

"Efeito Borboleta" é uma mistura complexa de ficção, suspense e drama psicológico. Acompanhamos Evan, um jovem que sofria de problemas de lapsos de memória em sua infância e adolescência. Em determinados momentos de sua vida, ele simplesmente "apagava". Sua vida era como um filme, que continha algumas cenas deletadas. Para aumentar a complexidade do problema, aparentemente os "brancos" que aconteciam na memória de Evan sempre ocorriam em momentos-chave de sua vida.

Para tentar solucionar seu problema, sua mãe o leva a um psicólogo, que sugere escrever tudo que acontece em sua vida em diários. Alguns anos depois, já um excelente estudante de psicologia, resolve encontrar respostas sobre esses momentos deletados de sua mente. Para isso, resolve visitar sua vizinha e namoradinha de infância Kayleigh. Digamos que o resultado dessa visita foi frustante. Como consequência, Evan acaba descobrindo por acaso um dom: através do seus diários, ele tem o poder de voltar ao passado, exatamente nos momentos em branco de sua memória. Mas ele acaba descobrindo que voltar no tempo e alterar seu passado pode trazer graves consequências no presente.

A frase escrita no início do tópico (e do filme) não aparece por acaso. Ela é frequentemente utilizada para descrever a Teoria do Caos (saiba mais sobre esta teoria aqui). E é a partir da primeira volta ao passado de Evan que compreendemos o que essa frase representa no filme. Evan tenta utilizar esse poder para voltar ao passado e reverter ações e atitudes de modo a evitar acontecimentos no presente. Mas uma simples modificação em algum momento passado pode fazer com que toda a sua vida - e a vida da pessoas a sua volta - a partir desta alteração ocorra de forma diferente, inesperada, imprevisível.

Essa questão da volta ao passado e suas consequências no futuro não é novidade. Isto já foi explorado no cinema, por exemplo, na trilogia clássica "De volta para o futuro". Uma parte inesquecível desse filme é a sequência em que Marty precisa que seu pai beije sua mãe para que ele não desapareça de uma foto tirada no presente, o que significaria que ele não nasceria. Outro filme interessante chamado "A máquina do tempo" mostra que o protagonista constrói uma máquina do tempo para evitar a morte de sua noiva. Mas ele percebe que, mesmo voltando no tempo 30 vezes e salvando sua noiva naquele momento, ela morreria 30 vezes de uma forma diferente.

A diferença deste filme é que o foco está nas consequências das alterações realizadas ao alterar o passado. A cada volta ao passado, Evan tenta utilizar o "espaço em branco" em sua mente para alterar seu rumo. Mas toda vez que volta ao presente, encontra-se em uma situação totalmente diferente da que estava, e geralmente alguém a sua volta está em uma situação pior. E o filme transcorre dessa forma até o final. Vemos seguidas "viagens no tempo" de Evan, e as alterações de sua vida ao regressar ao atual presente.

Mas o que é o presente senão o resultado de todas as ações e transformações ocorridas em você e no mundo a sua volta até hoje? Seu caráter é produto de seu relacionamento com sua família e sociedade desde o seu nascimento. Alterar o passado não significaria apenas alterar um fato, mas sim também a sua vida, a sua personalidade e de todas as pessoas em sua volta.

Claro que existem alguns furos na história. Uns até graves. Exemplo simples: Evan volta aos seus 7 anos e altera seu passado. Um pouco depois, outra viagem no tempo, agora para a época em que tinha 13 anos. O problema é que após a alteração da história aos 7 anos aquele momento aos 13 poderia não existir mais. Outro furo é a volta de Evan duas vezes ao mesmo momento. Mas já que "aceitamos" as viagens no tempo de Evan por que não aceitar tais furos de roteiro? Isso não tira o mérito do filme.

Ashton Kutcher está bem como Evan, bem diferente das comédias anteriores (recém-casados e cara, cadê meu carro?). Amy Smart está perfeita, alterando muito bem seu comportamento a cada mudança na vida de Kayleigh. Mas quem realmente rouba a cena é o elenco infantil, com muito destaque para Evan e Tommy aos 7 e 13 anos. Chega a ser impressionante em determinados momentos suas atuações.

Quem não gostaria de voltar no tempo e corrigir alguma coisa ou fazer algo de um jeito diferente? Quem nunca pensou algo do tipo "e se eu tivesse feito isso de outra forma?" Mas caso realmente tivesse a chance de voltar no tempo, como ter certeza que a alteração desse fato traria os resultados esperados? É correto influenciar a vida de outras pessoas devido a alguma coisa que você gostaria que tivesse sido diferente? Isso sem falar nos outros questionamentos científicos do tipo "Seria possível alterar o passado?" Você acredita em Deus ou em destino? Acha que nossa vida já está traçada? E o mais importante: "É correto brincar de Deus?" Se você parou pra pensar em pelo menos uma dessas perguntas, o filme já valeu a pena.

Cotação: 9,6

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Ótimo filme, faz um tempinho que assisti, mas lendo seu post, que por sinal esta muito bem escrito :) me fez relembrar muito do filme.
    Recomendo a todos que não viram, assistir.

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